Me vejo detido em uma prisão impiedosa e que não se exime de ser brutalmente cruel com seus incontentes encarcerados chamada rotina. Na maior parte do tempo em que faço uma espécie de análise dessa condição, não consigo enxergar sequer uma chance subtrair-me desta.
Parece que tenho toda a minha essência engolida por esse monstro que acaba me fazendo por não mais valorizar o sentido de todos os acontecimentos de minha singular vida. Seria o tempo, o mestre dessa mazela existencial? Ou seu amo seria apenas a minha própria consciência que, ignorante, se isenta de observar com certa cautela todas as atividades a que sou incumbido executar?
Passo demasiados instantes refletindo sobre a voracidade/velocidade que se desenrolam os dias, meses e anos... sentindo muitas vezes um sobressalto relâmpago ao me lembrar de fatos ocorridos com sensação de tão recentes que, por sua vez, se mostram absolutamente distantes em um passado cuja distância não me parece corresponder equilibradamente com o presente momento.
Confesso que a certo modo começo sentir medo de que nada mais seja aproveitado da maneira que verdadeiramente deve ser , e passo até a duvidar se realmente o fiz alguma vez.
A meu ver, não há como controlar essa sensação ou esse receio, cabe a mim apenas "tentar" remediar este doentio desenrolar desenfreado dos tempos administrando todas as minhas tarefas, programas e situações de uma forma mais reflexiva, isentando-me assim da sistemática e intensa cobrança de perfeição/pontualidade que exerço sobre a minha pessoa desde os primórdios de minha consciência.
Necessito êxito nessa empreendida, uma vez que está se tornando despótico este natural caminhar a que me compete a existência.
Muitos daqueles cujos anos neste mundo vividos ultrapassam em quantidade o dobro dos meus, em conversa me disseram com diferentes palavras que também foram meras vítimas desta fatal e desumana inimiga que se faz presente em nosso abarrotado dia-a-dia chamada rotina.
Faço votos de que o simples fato de espreitar sua existência me auxilie a no mínimo distraí-la para que esta "vilã" não me abocanhe tão facilmente.
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