Sendo uma pessoa normal como qualquer outra, tenho até aqui percorrido um caminho comum, cheio de erros e alguns pouquíssimos acertos.
No que diz respeito à minha determinação em atividades que, com certeza desenham o futuro, vou contar aqui um pouco desse meu caminho.
Fui um excelente aluno desde que ingressara na escola até a quarta série, dali em diante, me deixara envolver completamente por coisas que me pareciam intensamente mais interessantes do que estudar (e TUDO me parecia mais interessante) também desenvolvia o chamado DDA ou ADD, pra mim tanto faz, déficit de atenção, que futuramente viria a me prejudicar não somente nos estudos mas em outras atividades também. A partir desse momento, não sentia mais medo de levar um boletim com notas baixas pra casa, tampouco cadernos com avisos de "ausência de tarefas" para meus pais assinarem (fui convidado a me retirar da escola no segundo colegial, teria sido expulso se não fosse a minha mãe choramingar pra diretora considerar o fato de que eu afirmava que se saísse daquele colégio não estudaria mais em nenhum outro, e assim perdoar minhas indisciplinas). Passava assim, a desenhar um futuro de desinteresse pelos estudos. Nada anormal, sabe-se muito bem.
Dessa maneira as coisas foram se desenrolando sucessivamente, e, apesar de nunca ter repetido de ano, fui como assim dizem, "levando com a barriga".
Terminei o colegial (que na época ainda não era chamado ensino médio) e, quando a maioria de meus amigos se encaminhava para o curso superior, eu queria apenas algo que não me exigisse muito esforço mental, ou seja, fui trabalhar.. (apenas trabalhos simples).
Com 16 anos consegui um emprego de office boy em um grupo de empresas dirigido por uma amiga da minha família, e ano após ano fui mudando de ofício e de empresa. Aquilo era tudo o que eu queria, dinheiro (ainda que pouco), cabeça livre e farra, muita farra. Tinha certeza que era o que eu tinha que fazer.
Vinha nesta tocada até algum tempo atrás, mas alguma coisa começava a mudar, uma mudança que acontecia de dentro pra fora, e consequentemente me fazia ver algo diferente ao meu redor também.
Já não me sentia mais satisfeito com esse ritmo conformado e miserável (sim, miserável) de vida, e comecei a questionar por que me sentia assim.
Miserável era estar trabalhando por um dinheiro miserável e gastando em coisas miseráveis nada construtivas, (rolés, baladas, roupas, moto, carro e seus equipamentos, etc.) que só me poderiam levar a uma situação verdadeiramente miserável quando a longo prazo, e era esse conformismo citado que me dava ilusoriamente a impressão de que estava tudo bem.
Levando em consideração um ensinamento muito comum que nos diz para procurarmos certas respostas dentro de nós mesmos, comecei a fazer uma busca pessoal por alguma coisa que me pudesse ajudar.
Não tardou e eu enxerguei algo que sempre esteve ao meu lado, eu eu nunca havia visto antes porque era como um "valioso brinquedo encoberto sob a bagunça" - meus sonhos. Eis aí o simples motivo de eu vir a sentir aquela espécie de vazio na vida "estacionada" que eu vinha alimentando. O motivo era a ausência deles.
Segundo os sábios, enquanto o pão é o alimento do corpo, os sonhos são o alimento da alma.
Sonhos esses que, a partir daquele momento, quando os enxerguei com olhos pacientes, me deram todas as respostas da forma mais clara possível.
Passei então, a indagar uma forma de conquistar metas que me tornasse possível a realização desses sonhos procurando um caminho certo ou o mais próximo disso possível.
Sim. Com mil diabos! Vou estudar! Afinal, ao menos no meu caso, não há outro caminho. Sonhos nem sempre se definem em realizações financeiras e materiais, mas também em sabedoria, e, pelomenos eu acho, não há outra forma de se adquirir qualquer tipo de sabedoria que não seja estudando.
Alegro-me por certa maturidade (muito pequena) com que tomo essa decisão e também o caminho específico a seguir nos estudos. Tenho um certo vício em leituras onde passo, desde que tenho tempo ocioso, no mínimo 5 horas por dia lendo, sendo às vezes até 8 horas. Aproveitando essa certa facilidade com leituras e lembrando sempre do meu pavor por qualquer tipo de cálculo (números, eu odeio vocês!) é que consegui chegar a uma conclusão quanto ao curso superior que mais se encaixa ao meu perfil.
Sinto ansiedade, é natural, pois terminei meus estudos há exatos 10 anos, e desde então não fiz mais nada parecido, também sei que não será fácil, nem um pouco, mas a determinação e perseverança que tenho dentro de mim são imensas, e minha felicidade por; mesmo que um pouco tarde; enfim iniciar minha caminhada rumo a verdadeiras conquistas pessoais, é impossível descrever por palavras.
Não falo muito dos meus sonhos, metas e objetivos, nem aqui nem com as pessoas (quem me conhece um mínimo sabe disso) não por vergonha nem por omissão, apenas os guardo pra mim como uma forma de meditá-los, não os exteriorizando através de palavras, pois eles são a minha essência, e como disse Paulo Coelho em *O Manual do Guerreiro da Luz, "forno aberto não assa pão".
Gosto muito dos seus textos.
ResponderExcluirVocê me faz sentir vontade de escrever! Obrigada!
Sou eu quem agradece Fabi, por vc ler
ResponderExcluiressas minhas viajadas reflexões.